| O período de férias dos turistas se transformou em tormento para os moradores da região de Nova Guarapari. Para eles, finalmente a alta temporada chegou ao fim. Agora, começa a luta contra as consequências da diversão sem limites instalada nas orlas de Bacutia e Peracanga.
Depois de suportar dias seguidos de muito barulho vindo dos porta-malas dos carros e das peruinhas de festas, escuta-se apenas o pedido de socorro das praias no sagrado silêncio. Afinal, a sujeira deixada nas ruas e nas areias mostra a falta de consciência ecológica dos frequentadores do local.
Além do excesso de ambulantes que invadiram as praias e calçadas durante o verão, o bairro ainda foi palco de dois grandes empreendimentos neste ano. Ações que desrespeitam o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O documento foi assinado em comum acordo entre órgãos competentes em 2003. Entretanto, os problemas são os mesmos de sete anos atrás.
“O que falta é um choque de ordem, um choque cultural na cidade inteira. Os próprios órgãos da prefeitura estão descumprindo a lei determinada pelo TAC, que decreta a proteção das praias da nossa região”, afirma o diretor da Associação de Moradores da Enseada Azul (Ameazul), Hugo Ribeiro Gaspar.
De acordo com o documento, fica proibido “em hipótese alguma, a instalação de qualquer barraca, quiosque ou similares fixos ou móveis (veículos automotores ou não) e a colocação de cadeiras, mesas e sombrinhas ou quaisquer outros objetos que tenham destinação de exploração comercial nas Praias de Bacutia, Peracanga e Guaibura”.
“A praia é muito pequena e as ruas bem estreitas, o que a torna inviável para a estrutura que foi montada aqui no verão. O trânsito vira um caos. Muitas famílias que sempre passavam as férias aqui estão indo embora, por causa do barulho e da bagunça que virou a alta temporada principalmente em Bacutia”, lamenta a presidente da Ameazul, Nanci Monteiro Lobato Lemos.
O diretor ainda sugere uma alternativa para minimizar os impactos ambientais. “A Prefeitura deveria solicitar uma contrapartida ambiental desses empreendimentos. Já que possuem interesse econômico na região, poderiam fazer alguma ação ambiental. Porém, nem se preocupam em tirar o lixo do local em que montaram as grandiosas estruturas”, ressalta Hugo Gaspar.
Também cobram mais organização e fiscalização. “Não somos contra os eventos, desde que sejam realizados com organização, segurança e consciência ecológica. Também falta uma fiscalização mais atuante quanto aos carros de som e ao número de ambulantes”, destaca a presidente da Associação de Hotéis e Turismo de Guarapari (AHTG), Adriana Pereira Marques.
Não é uma reivindicação apenas dos moradores, é o que consta no TAC. Conforme combinado no documento, fica estipulada a “fiscalização efetiva permanente e contínua em conjunto com a Polícia Militar Ambiental e o 10º Batalhão da Polícia Militar para impedir a instalação clandestina de quaisquer barracas, quiosques ou similares na região que é área de preservação ambiental”.
Segundo o diretor da Ameazul, “o mais impressionante é que fiscais e policiais passam do lado e não fazem nada”. Os moradores também alegam que a postura é a mesma com os carros de som. Apesar da instalação de placas proibindo carros de som no local, ninguém respeita assim como o TAC. O documento frisa que se deve “coibir ostensiva e efetivamente quaisquer tipos e produção e poluição sonora”.
Cansados de esperar pela consciência ambiental dos cidadãos e por atitudes dos órgãos competentes, a associação contratou um advogado a fim de ajuizar ações toda vez que for descumprido o TAC. Também está solicitando a instalação de vídeo-monitoramento nas Praias de Bacutia e Peracanga. “A solução será apelar para atitudes mais extremas”, finaliza Hugo Gaspar.
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