| A maior e mais democrática crise econômica da história é tema de diversos debates entre autoridades federais, estaduais e municipais. Alguns dados estatísticos e propostas de medidas até são divulgados na mídia. Mas a sensação que ainda prevalece em toda a sociedade brasileira é de medo, insegurança, dúvidas. Isso porque falta diálogo entre os poderes públicos municipais para com o povo, que quer, precisa e tem o direito de saber a real situação da sua cidade.
Os cidadãos precisam estar cientes do grau de dificuldade por qual passa o seu município a fim de contribuir com alternativas de anticrise e até mesmo para se resguardar das consequências. Sonegar informações não é o melhor caminho para encontrar soluções. Não é segredo para ninguém que a crise chegou às prefeituras junto com a diminuição dos repasses federais e estaduais, que sofrem com a queda da arrecadação e com a redução da própria receita. Já o que cada administração está fazendo para contorná-la, às vezes é um mistério.
No Espírito Santo, alguns municípios já estão sem condições de bancar a sua parte em ações sociais importantes, como Bolsa Família, Programa de Saúde da Família e Programa Nacional de Alimentação Escolar. Resultado da redução dos repasses do FPM e do ICMS que respondem por mais de 44% da receita corrente das cidades capixabas. Isso está a olhos nus da população, já as ações é preciso uma lupa para tentar identificá-las.
De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios, a transferência de FPM às cidades capixabas caiu 12,3% no primeiro trimestre deste ano comparado ao mesmo período do ano passado. No caso das transferências estaduais de ICMS, houve queda de 5,1%. Sem falar nos tributos municipais. O ITBI e o ISS despencaram em janeiro e fevereiro. Esses dados são divulgados, enquanto o dano causado em cada município ainda está em clima de suspense.
Desde o início, os municípios foram considerados mais suscetíveis à perda de receita do que os Estados e a União. Com isso, as autoridades não poderão nem podem alegar que foram pegos de surpresa nem colocar a culpa no Estado ou na Federação. Porque esses estão preparando seus pacotes de medidas enquanto a municipalidade espera a bomba explodir. Se essa não é a verdade, falta comunicação entre a administração municipal e a população. Pelo menos é assim que o povo guarapariense está se sentindo.
O cidadão fica imaginando o estrago nos setores de infraestrutura, econômicos, políticos, sociais e culturais... Mas aquele que elege os líderes de todo o país não pode viver de suposições, afinal ele é parte integrante daquilo que se chama nação. É um elemento unitário essencial para formar um conjunto forte.
De duas, uma. Ou Guarapari, surpreendentemente, não está sendo afetada pela crise ou a realidade está sendo escondida. Porque enquanto todos estão cortando os gastos, a municipalidade entra com pedido de reajuste salarial de 61% para prefeito e 37% para vice e vereadores. Sem falar nas ordens de serviço de drenagem e pavimentação em 21 bairros mais a construção de ponte em Perocão e em Uma, no valor total de R$ 12,5 milhões.
Diante deste fato, o que os moradores podem ou devem pensar? Que bom que nosso município está forte diante da crise! Ou... Que descaso do poder público municipal para com as dificuldades oriundas da crise, cujas consequências, se não remediadas, podem afetar a vida dos 100 mil habitantes de Guarapari. Afinal, ninguém está indiferente à crise.
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