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A cidade está em festa. Até quanto?
 
Há alguns meses, a cidade presenciou movimentos grevistas de todos os tipos. Operação tartaruga, paralisação em frente da prefeitura municipal e até mesmo passeatas com direito a caixão. Tudo para mostrar a insatisfação dos funcionários públicos que estavam sem reajuste salarial há 16 anos. Quatro gestões públicas se passaram e o salário continuava o mesmo. Preços dos alimentos aumentavam e o salário continuava o mesmo.

Tudo se agravou quando a administração municipal enviou projeto de lei solicitando reajuste salarial para prefeito, vice, procurador e secretários à Casa de Leis. Aumentos de quase 62% para o gestor e de 34% para os demais. O vencimento do prefeito passaria de R$ 7,2 mil para R$ 11,6 mil. Enquanto o vice passaria de R$ 3,5 mil para R$ 5,8 mil. Já o procurador e os secretários aumentariam de R$ 3,6 mil para R$ 5,4 mil. Enquanto o salário-base dos funcionários públicos girava em torno de R$ 466,66.

O Poder Executivo Municipal argumentava que a municipalidade estava impedida de desenvolver um governo desenvolvimentista e pautado na seriedade administrativa recebendo vencimentos que não eram dignificantes. E o aumento que os funcionários públicos estavam reivindicando era de 20%. Diante do impasse, o prefeito prometeu reavaliar o Plano de Cargos e Salários. Nesse período, retiraria seu projeto de pauta da Câmara de Vereadores.

Agora, para a surpresa de todos, foi divulgado o reajuste de 20% a 200% para os funcionários públicos. O salário-base passa a ser R$ 534,75 para 30 horas semanais e R$ 583,32 para 40 horas semanais sem considerar os benefícios. Um impacto na folha de pagamentos de R$ 2 milhões/mês, já que passa dos atuais R$ 3 milhões para quase R$ 5 milhões. As vantagens são inúmeras, pois valoriza o trabalho do servidor público, a população conta com serviços mais qualificados e há perspectivas de ascensão da movimentação de dinheiro na cidade. Porém, entretanto, todavia...

Mas fica uma grande dúvida no ar, certo receio e medo que afligem os cidadãos. Será que a administração municipal tem condições financeiras para arcar com esse acréscimo de gasto da folha de pagamento? Sem falar das despesas provenientes dos direitos trabalhistas que já gira em torno de R$ 1,6 milhão. Afinal, todos os contratos temporários precisaram ser rescindidos. Além dos funcionários públicos inativos, que também serão contemplados com o reajuste.

A resposta para essa pergunta foi dada em coletiva pelo secretário Municipal de Administração e Gestão de Recursos Humanos, Antonio Maurice Santos. “Também acharam que a prefeitura não teria condição de urbanizar 22 bairros. Estamos cumprindo o acordo. Entregaremos todas as obras até o final do ano. Agora estamos contemplando os servidores com uma proposta que podemos cumprir. Os servidores até mereciam mais. Porém, o prefeito não faz política. Ele age de acordo com o que pode arcar”, afirma.

Resolvido o reajuste dos funcionários públicos, foi a vez do prefeito, procurador e secretários comemorarem. Os vereadores só não aprovaram o reajuste do vice-prefeito sobre o argumento de que ele não poderia ganhar mais que os parlamentares, já que atua somente na ausência do gestor. Esse é o clima da cidade: comemoração. Agora resta saber até quando, pois como disse o próprio secretário Antônio Maurice: “os vereadores já estão avisados pelo prefeito para não se assustarem com solicitações de suplementação”.

 
 
 
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