| Quantos cidadãos conhecem o trabalho realizado pelos vereadores da sua cidade? Quantos saberiam citar pelo menos um projeto criado por algum dos parlamentares? As respostas dessas perguntas trazem dados alarmantes. Uma série de pesquisas sobre “avaliação de gestão” que está sendo realizada no estado mostra que o índice de desconhecimento das ações dos vereadores pela população não fica abaixo de 80%.
O Instituto Futura já esteve em Vila Velha, Linhares e Cariacica. E nada indica que o resultado será diferente nos demais municípios. O que coloca em debate a necessidade de manter uma instância de poder que acarreta em impactos significativos nos orçamentos e não tem demonstrado utilidade relevante para a população. Uma vez que a interação com as comunidades é praticamente inexistente. Fato comprovado pela pesquisa. O que se constata são vereadores, cada vez mais, preocupados com ações de assistencialismo.
Com isso, o sistema atual só beneficia aqueles que têm fácil acesso aos vereadores. E, lógico, que, principalmente, aos próprios parlamentares. E aquela utópica história de que a função do poder legislativo é fiscalizar o poder executivo e propor leis que melhorem a vida dos cidadãos fica apenas na lei. Afinal, na vivência política o que se encontra são vereadores cooptados pelo poder executivo sem vigor fiscalizatório.
O resultado é aprovação de leis e mais leis que beneficiam tanto os parlamentares o executivo. Aquela velha história de que “uma mão lava a outra”. Como é o caso em Guarapari. Primeiro prefeito, procurador e secretários recebem reajuste salarial de 75%. Depois, os vereadores conseguem cinco tipos de benefícios por meio de verbas indenizatórias que chegam a R$ 2,7 mil por mês, o equivalente a 75% do subsídio. E para fechar esse ciclo de solidariedade, o vice finalmente obtém o tão “suado” aumento também de 75%, com intermédio do prefeito.
Sem falar da manutenção dessa ampla estrutura com altos gastos em gabinetes e assessores, que desfalcam os orçamentos de áreas prioritárias como saúde e educação. Prioridade estabelecida não por este jornal, mas pela Constituição Federal. E os cidadãos? Esses continuam se desviando de buracos em asfaltos, se submetendo a serviços de transporte coletivo urbano precário, correndo risco em vias sem sinalização de trânsito adequada, convivendo com o aumento da violência decorrente do alto índice de tráfico e consumo de drogas e pagando impostos mais caros.
A população precisa usar o poder que tem e exigir ações que visem o bem público coletivo. É fundamental acabar com aquele conceito difundido na sociedade de que político bom é aquele que rouba, mas faz alguma coisa. E parar de se contentar com investimentos em festas e eventos, cujos benefícios são nulos. A administração pública deve priorizar saúde, educação, infraestrutura e segurança antes de gastar com shows que promovem nomes, mas não trazem desenvolvimento.
Já passou da hora de abandonar a cultura do “pão e circo” de Roma. A antiga política em que o imperador oferecia diversão e alimentação gratuitas aos romanos por meio de lutas entre gladiadores e até mesmo com a participação de animais para que a população esquecesse os problemas a fim de diminuir as possibilidades de revolta, rebeliões e protestos. Será que a história está se repetindo em moldes modernos? Há de se pensar, acordar e agir para que não.
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