Quem acreditava que a tão sonhada e esperada obra de reurbanização da Praia do Morro fosse realmente sair do papel? Pois bem, foi escrito mais um capítulo dessa história que já dura cerca de quatro anos. Uma obra que já deveria estar concluída, até hoje ainda dava dor de cabeça. Mas, para a alegria de todos, os quiosques, enfim, começaram a ser demolidos. Com isso, a esperança dos moradores e turistas mais uma vez voltou.
Esse não é o projeto original, pois a administração municipal alterou, entre outros pontos, o número de quiosques que passou de 34 para 26. Fato esse, que gerou discussão e muita insatisfação, já que não houve participação das partes envolvidas. Em abril, uma solenidade marcou a assinatura da ordem de serviço, todos felizes, pois então começaria definitivamente a obra. Engano, eis que surge mais um impasse. O valor da indenização, a forma de pagamento e a seleção dos quiosques ainda não haviam sido divulgados. Essas são cláusulas antecedentes à demolição dos quiosques conforme discriminado no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Além do projeto, essas são as únicas ações que ficaram sob responsabilidade da prefeitura.
Os quiosqueiros, então, foram atrás dos seus direitos e a demolição dos quiosques foi impedida. Com a pressão, a prefeitura divulgou o processo seletivo, o que gerou mais um impasse entre os comerciantes e a administração. Foi quando o poder público decidiu sair da imposição e partir para o diálogo. Juntos reviram a seleção: a Comissão Permanente de Licitação com a Associação dos Quiosqueiros. Vale lembrar, que com a demora na execução da obra, a emenda de R$ 5,5 milhões do Ministério do Turismo foi perdida, caducou. Então, o Governo do Estado assumiu o custo total de quase R$ 11 milhões.
Mais um problema resolvido, vamos a execução da obra. Notificações entregues e prazo de três dias para que os comerciantes retirassem os materiais dos quiosques. Mas, na hora da demolição, surge mais um percalço. A briga agora, entre quiosqueiros e prefeitura era quem ficaria com as telhas e madeiras dos módulos. Com a velha e boa conversa conforme manda a nossa famosa democracia ao invés do autoritarismo típico da velha ditadura, a questão foi resolvida e os comerciantes puderam ficar com os materiais. Agora é hora das máquinas trabalharem a todo vapor.
Os 32 quiosqueiros que ficaram de fora esperam o pagamento de R$ 30 mil como acordado com a prefeitura, que se comprometeu em pagar dois meses depois da homologação do processo seletivo. E o restante aguarda ansioso pelo resultado da obra para começar a trabalhar assim como moradores e turistas esperam para aproveitar. Afinal, trata-se do cartão postal de Guarapari: a Praia do Morro. E ninguém discorda que tal obra não traz somente a reurbanização de uma orla, mas sim a revitalização turística de toda uma cidade. Só lamentamos que tal realidade já deveria estar sendo vivenciada há pelo menos quatro anos.
Mas chega de lamentações. Agora, o momento é de comemorar. Chega de resumir essa história, que todos já sabem de cor e salteado. Em Guarapari, esse fato se estende assim como o caso do goleiro do flamengo pelo Brasil. Agora é aguardar e torcer para que essa história tenha um final feliz, já que ainda há alguns pontos a serem definidos. E a torcida é pelo cumprimento da justiça, em ambos os casos.